As sutilezas em Persuasão

persuasao_14603469181748sk1460346918bAutor: Jane Austen
Editora: Zahar
ISBN:
9788537815533
Ano: 2016
Páginas: 368
Avaliação: 4/5

Anne Elliot é a mais sensata e a mais desimportante em uma família vaidosa e de berço nobre, que subitamente se encontra na embaraçosa situação de precisar alugar sua propriedade no campo e adotar um estilo de vida mais modesto na cidade. Mas para Anne, o pior é saber que seus inquilinos são parentes do capitão Frederick Wentworth, de quem fora noiva na juventude e com quem rompera relações acreditando, na época, estar fazendo um bem a ambos.

Oito anos antes, Frederick era um jovem ambicioso e inteligente, sem nome e sem fortuna. Agora rico, ele parece ter ganho a admiração de todos os amigos de Anne, que muito antes disso já amargava sua decisão. A retomada da convivência com seu antigo amor irá colocá-la diante do ressentimento de Wentworth e do pesado fardo de se considerar digna dele. Mas mesmo o tempo e o desconforto se mostrarão insuficientes para apagar o antigo afeto – talvez, de ambas as partes.

Jane Austen sabe descrever as sutilezas dos relacionamentos humanos com ironia, bom humor e concisão. Persuasão é o último dos seus romances e mais um excelente estudo sobre os preconceitos e valores da Inglaterra rural do século XIX, cuja as principais impressões continuam muito atuaisLeia mais »

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Os fundamentos da Cidade Antiga

4c73ab3c6ab0a36a5fc104ec3956560eb736168bAutor: Fustel de Coulanges
Editora: Martin Claret
ISBN: 
9788572327800
Ano: 2009
Páginas: 413
Avaliação: 5/5

Em várias partes do mundo encontramos os mais remotos indícios do culto aos mortos. Fustel de Coulanges demonstra como essa desconfiança de que há algo do homem que sobrevive à si mesmo, e que deve ser honrado, foi a pedra angular que fundou as grandes civilizações antigas – que também sobreviveram a si mesmas, tendo moldado o mundo como o percebemos hoje.

Não tenho o hábito de ler não-ficção, confesso, mas A Cidade Antiga de Fustel de Coulanges está sendo um grande incentivo para reverter esse quadro. Sempre tive fascinação pela mitologia e sociedade grega, mas isso não me impediu de encarar esse volume com uma certa desconfiança (ouvi coisas não muito agradáveis sobre essas edições de bolso da Martin Claret) e um tanto de preguiça. Que surpresa agradável, encontrar um texto tão objetivo e em linguagem tão acessível! Mas, principalmente, que riqueza de conteúdo nessas 400 e poucas páginas!Leia mais »

Os dilemas da Coruja de Pedra

coruja_de_pedra_1499046889691822sk1499046890bTítulo: Coruja de Pedra
Autor: Fernando Cristino Reis
Editora: Schoba 
ISBN: 
9788580134674
Ano: 2016
Páginas: 217
Avaliação: 3/5

O grande império da Líria está reconquistando seu antigo esplendor a duras penas, combatendo ao mesmo tempo focos anarquistas e a resistência republicana que desponta em diferentes partes do seu vasto território. São nessas circunstâncias que o promissor tenente da polícia secreta, Alec Noctua, é convocado para integrar uma equipe – elaborada pelo imperador em pessoa – cuja missão será decisiva para o império.

Na companhia de colegas muito diferentes de si, mas primorosos em suas áreas, Alec vai descobrir que as batalhas mais difíceis são as que ele precisa travar contra sua própria consciência e contra perdas do passado que insistem em assombrá-lo. Será o desejo de vingança maior que a difícil descoberta de estar lutando do lado errado da história?

Steampunk e fantasia se misturam nessa narrativa em um complexo sistema político, onde a lealdade, a ética e vingança estão em jogo.

O romance de estréia de Fernando Cristino Reis exibe um universo vasto e complexo, talvez até demais para ser apreendido completamente em duzentas e poucas páginas. Mas vamos começar dizendo que fica evidente que o mundo de Coruja de Pedra foi elaborado com muito trabalho, e assim como tudo que é novo, um pouco de trabalho é necessário para compreendê-lo.Leia mais »

1PPD #12 | estrela-guia

Desde pequena, ela rezava para que as estrelas não se apagassem. O brilho esverdeado nunca parecia durar o suficiente, e ainda assim, ele iluminava seu quarto todas as noites quando ela apertava o interruptor, como num passe de mágica. Conhecia a todas, nomeara cada uma, desenhou suas próprias constelações. Aquelas estrelas eram suas, e lhe apontavam o caminho de casa que ela percorria enquanto as luzes no teto brilhassem para ela. E quando as luzes finalmente desbotavam, ela, já não tão pequena, sabia que a jornada estava chegando ao fim. Já estava sonhando.

Ainda na temática de luzes, embora o parágrafo tenha parado de fazer muito sentido no final. Enfim. 93 palavras escritas em 30/1. Imagem original tirada daqui.

1PPD #11 | lux

Os olhos fechados. Só assim encontrava a escuridão, e todos os horrores e medos atrelados a ela. A diferença, é que agora buscava o escuro por vontade própria, não porque gostasse dele, mas porque precisava lembrar. Porque precisava sentir. A solidão, o desespero, a dor. Aquilo tocava com dedos sujos e pegajosos no seu âmago e a apertava com força. Mas tudo bem. Porque quando ela se via no escuro, ela lembrava. Ela sentia.

Abriu os olhos, e viu.

Porque ela era a luz.

Senti uma influência forte do Draccon nesse trecho de 84 palavras escritas no dia 29/1. Até que gostei. Imagem original tirada daqui.

1PPD #10 | rascunho de leitura

O paradoxo que é ter três edições de um jornal literário e não ter terminado de ler nenhum. Logo eu, que quero ser jornalista escritora. Como é estranho, esse mundo pós-moderno, que entre mil e dois itens nas nossas listas de afazeres, acaba se esvaindo o tempo para os nosso interesses. E que cômodo, por a culpa na pós-modernidade ou em qualquer outra coisa. A verdade é que falta organização mesmo, e que o exemplar mais recente ainda está no plástico.

82 palavras de desabafo escritas no dia 19/1. A referência, inclusive, foi ao Jornal Rascunho. Imagem original tirada daqui.

1PPD #09 | luxo amargo

Ambas bebidas eram muito parecidas, mas a dela tinha um leve resquício de cereja no chantilly e o amargo do café era um tiquinho mais forte. Pelo menos fora essa a conclusão que a dupla chegou após meia dúzia de goles trocados entre um copo de tampa meio esférica e outro.

A tampa até que era fofa, mas um obstáculo à ação de pescar o precioso chantilly com o canudo.

— Tem também o charme de se sentir roubado — recordou o jovem, à medida que o minucioso exame das bebidas elegantes e ridiculamente caras prosseguia.

— Sou meio cafona — rebateu ela, sorvendo mais um gole do seu black forest moka — tenho essa mania de valorizar meu dinheiro. Especialmente o que eu não tenho.

 

Escrito em 18/1, baseado em um diálogo que tive com meu afilhado na última vez que saímos para tomar um café. 121 palavras sobre os R$16,00 por 300ml que ficaram bem gravados na minha mente. Imagem original tirada daqui.