Cara de pau

 “Não entendo a mania dessa minha geração de achar que, se você ignorar o problema, ele deixa de existir”

 

Então você vai e faz algo errado.

Faz mesmo sabendo que é errado, porque ah, o que é que tem? Aí, quando alguém te repreende, você nem tenta se defender. Você também se sente envergonhado ou culpado – fala sério, você nem se dá ao trabalho de ouvir a bronca. Tudo que você faz é baixar os olhos e calar a boca, torcendo para aquilo acabar o mais rápido possível enquanto canta mentalmente algumas de suas músicas preferidas. Só pra passar o tempo.

E depois, você faz de novo.

Você não se preocupa se tem alguém vendo. Você não se preocupa mais nem em fingir que não tem ninguém olhando. E daí se tiver? E daí se te passarem outro sermão? Os velhos cansam rápido: nem eles mesmos ouvem mais o que te dizem. Daqui a pouco eles desistem e param de te encher os saco. Pode ser que algum dia eles decidam cumprir suas ameaças, mas que seja. Você só vai ter que aumentar um pouco sua lista de “músicas preferidas” e depois de um tempo, tudo volta ao normal.

O que você não vai fazer é deixar que eles te digam o que fazer.

Eu poderia tentar te dizer tudo isso. Dizer como um pouco de vergonha na cara, às vezes, é bom. Mas você nem está lendo isso. Desistiu no segundo parágrafo, depois de esboçar um sorriso petulante que se tornou sua marca registrada. Mas ainda que estivesse lendo, ainda que estivesse mesmo escutando…

Bom, e daí?

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