A Rainha Marchando para a Guerra

Havia um cheiro forte de suor e cavalos misturado ao ar quando o céu se tingiu de laranja no final daquele dia. Metal tinia contra metal em um som ensurdecedor enquanto uma multidão de passos marchava para a Guerra. De vez em quando uma brisa soprava-lhe os cabelos brancos, aliviando o calor e trazendo os gritos e ordens que emanavam das fileiras. Das suas fileiras. Mas a Rainha não ouvia, ou sentia a carícia do vento. Sua mão, demasiada pequena e jovem, se fechava contra uma espada que ela sabia não lhe pertencer, seus olhos estavam baixos, os pensamentos, perdidos.

A Rainha pensava em momentos de paz dourada não tão distantes quanto aquela marcha fazia parecer, pensava em como aquela mesma paz não seria mais vista no seu reino ao decorrer de anos. Pensava como as coisas poderiam ter sido diferentes e no que ela daria para não ter a responsabilidade que agora caia em seus ombros inexperientes. Mas principalmente, a Rainha pensava no futuro.

A visão que tinha não era muito promissora. Se dependesse apenas de si, pouco importava se sobreviveria ou não àquela batalha – mas não era essa a questão. Mesmo a provável morte dos milhares de homens que a flanqueavam não era o maior problema. O que realmente a preocupava, o que realmente pesava seu coração era o destino do povo que ficava para trás. Destino que estava em suas mãos, no fio da sua espada. Fosse qual fosse o resultado daquela luta, seriam eles quem arcariam com as conseqüências. E por quanto tempo? Por quanto tempo eles conseguiriam resistir, se a própria Rainha se via sem forças?

“Recomponha-se, Majestade”, Sorrel relinchou, arrancando-a de seus devaneios “O que seus súditos pensariam se pudessem ouvi-la agora?”. A Rainha reprimiu uma resposta mal educada, em parte porque os seus anos, mesmo que poucos, haviam lhe ensinado a nunca ignorar um conselho de Sorrel, e em parte, porque sabia que o cavalo estava certo. Quis afagar a crina alva e macia dele como fazia quando era uma criança, mas também se conteve. Não era mais criança. Precisava se lembrar disso. “Desculpe, Sorrel. Não pude evitar”.

“Primeiro de tudo, não se justifique”, repreendeu ele “e para tanto, não faça, fale e nem mesmo pense nada questionável. Você é uma Rainha agora”, acrescentou o conselheiro, antes que ela pudesse replicar “o benefício da fraqueza não mais lhe pertence”.

A Rainha respirou pesadamente e assentiu, erguendo a cabeça. Apertou com força a espada procurando segurança, mas sabia que toda fé e segurança que precisava tinha que estar em si própria. Os olhos cinzentos se fixaram no horizonte, medindo forças com o meio-círculo ofuscante que se colocava no seu caminho. Sorrel empinou quando ela ergueu a espada e bradou, incitando as tropas a apertarem a marcha sem medo. Para o bem ou para o mal, eles fariam Guerra àquela noite.

Notas: esse texto foi escrito para um desafio, que consiste em escrever um texto baseando-se em imagens pré-selecionadas. Depois de postar o texto, eu e algumas amigas discutimos a possibilidade da menina da ilustração ser a Daenerys das obras de George Martin – mas como o exército usa armaduras de metais, eu achei pouco provável. Além disso, se fosse mesmo a Dany, a montaria dela seria, hm… diferente. Ainda assim, tive que fazer uma força incrível para não colocar os olhos dela cor de violeta. Depois fiquei sabendo que era a Dany, afinal. Aqui você encontra a postagem original do texto, e aqui a imagem original. Se quiser mais sobre esse desafio (o que eu recomendo. Tem um desafio de icons, se você preferir gráficos), basta clicar nesse link

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