E que a sorte esteja sempre ao seu favor

Você provavelmente reconhece o pôster ao lado – é apenas um dos muitos espalhados por aí que divulgam o filme Jogos Vorazes, que estreou no Brasil essa sexta-feira (23/03). Com um elenco no mínimo notável e uma boa dose de efeitos especiais, o longa conta a história do primeiro livro que dá nome à triologia de Suzanne Collins, que parece ser o mais novo fenômeno das livrarias (e, se a coisa continuar nesse ritmo, também das bilheterias do público jovem).

A História

Em um futuro não muito distante, onde outrora esteve a América do Norte, existe uma nação divida em 12 Distritos que são controladas pela opressora Capital – uma metrópole absurdamente rica e próspera quando comparada à realidade em que vive boa parte do povo. Uma rebelião começou e fracassou, dando início ao um torneio sangrento que tem por objetivo manter o controle sobre a população: todos os anos, cada distrito deve apresentar um rapaz e uma moça como tributos a serem sacrificados em uma arena. Possibilidade de sobrevivência? Só uma – matar todos os outros antes que eles matem você. Ao vencedor, o direito à vida, fama e glória.

Como se não bastasse, os Jogos Vorazes são transmitidos para todos os distritos em um bizarro e sanguinolento reality show que movimenta a economia e consiste na maior fonte de prazer daqueles que vivem na Capital. Os Jogos se tornam parte da cultura.

Mas as cosias começam a mudar quando Katniss Everdeen, uma garota de 16 anos, se voluntaria como Tributo no lugar da irmã de 12 anos, que foi sorteada. Munida com toda sua coragem e suas habilidades de caça, a garota vai tentar sobreviver à matança e voltar para sua família, mas ela descobre que terá que enfrentar muito mais do que 23 jovens lutando pela sua sobrevivência. Nos Jogos Vorazes, Katniss precisa descobrir até onde ela está disposta a abrir mão de si mesma para continuar viva.

… Infelizmente, ainda não tive oportunidade de ler o livro, então vou me prender apenas ao filme em si.

O Filme

O começo do filme é um pouco confuso, mas pessoalmente, acho um ponto positivo – ir descobrindo aos poucos a história das personagens e o contexto em que elas estão inseridas. Principalmente quando você não conhece o livro (o que poderia deixar essa parte inicial um pouco chata, acho). Ao longo de todo o longa, fica bem clara essa busca em mostrar o ponto de vista das personagens: as câmeras se mechem de forma inconstante e focam várias direções, transmitindo a sensação de movimento e apontando para onde a atenção está voltada no momento. Mesmo o áudio é distorcido em alguns pontos, dando mais subjetividade às cenas. O que aumenta a verossimilhança, apesar dos ambientes e figuras exóticas que desfilam pela tela.

Os efeitos especiais, no geral, me agradaram muito. Pareciam bem encaixados na situação, sem deixar aquela impressão de “é claro que é mentira” que você percebe em alguns filmes mais exagerados (mas sei que muita gente vai discordar comigo nesse ponto). O elenco também me deixou bastante satisfeita. Jennifer Lawrence caiu como uma luva no papel da personagem principal Katniss, dosando força e sentimentalismo muito bem. Já Josh Hutcherson vive Peeta, o outro tributo do distrito 12 que divide a atenção com a protagonista. Dele, sou suspeita para falar. Outra escolha bem feita foi Donald Sutherland para o Presidente Snow. Confesso que não conheço tanto o trabalho dele quanto gostaria, mas só pela sua voz rouca e suave e a aparência aristocrática, não posso deixar de pensar que foi a decisão perfeita. Os coadjuvantes também foram muito bem: rostos razoavelmente novos no cenário hollywodiano e nem por isso pouco talentosos. Destaco especialmente a atuação de Amandla Stenberg como Rue e Alexander Ludwig como Cato – este último especialmente na sua cena final do filme. Já da direção e produção não posso dizer muito, por não ter praticamente nenhuma noção da parte técnica da coisa, nem do trabalho do diretor Gary Ross. Ma ele ajudou a escrever Lessie, então tem a minha simpatia.

Outra coisa que me me agradou bastante é que, apesar do tema, o filme não é tão violento assim (fica a dica para quem está esperando um banho de sangue), sem no entanto deixar de fora a ação que o mesmo implica. Sim, em alguns momentos me contorci de agonia na cadeira, mas talvez seja porque eu sou meio sensível para essas cosias. O conflito psicológico é personagem muito mais importante que a matança (chorei mais vezes que senti agonia, se querem saber. Sim, choro muito em filmes. Sensível, já disse). Mas esse conflito demora um pouco para começar na minha opinião – isso é, o seu ápice. O Jogo em si. Mas por outro lado, quando começa você meio que se sente pego de surpresa – e outra vez vem aquela questão do ponto de vista das personagens. É impossível não deixar de pensar como seria se fosse você ali. E a partir disso, o filme propõe uma série de reflexões: poder da união, passividade, confiança, valores fúteis que se infiltram na nossa sociedade e, acima de tudo, livre-arbítrio.

Mas de qualquer forma, acho que poderia ter havido um pouco mais de destaque no que acontecia do lado de fora da arena. Não vou dar mais detalhes para evitar os spoilers, mas as reações ao que acontecia no Jogo poderiam ter sido melhor explicadas na minha opinião. Seguindo a linha de pontos fracos, devo dizer que metade dos acontecimentos eram um tanto previsíveis. Tantos outros, repentinos demais. Sem falar que Katniss está cercada de uma boa dose de “sorte de protagonista”, que parece tornar quase impossível a ideia de que alguma coisa vá dar realmente errado, removendo assim um pouco do suspense que se espera de filmes assim. Então saibam dar os devidos créditos quando digo que, apesar de previsível, é um bom filme. Pelo conjunto todo – a atuação, os efeitos, o figurino e também a trilha sonora -, mas principalmente pelo teor moral e crítico que a obra tem.

Jogos Vorazes está aí para provar que nem só de romances fantasiosos e lutas sangrentas gostam os jovens.  Que venha então a sequência: Em Chamas.

As imagens do post são da divulgação do filme, obtidas na galeria do Omelete. Para quem quiser saber mais sobre o filme e os livros, recomendo dois sites brasileiros, The Hunger Games e Jogos Vorazes. Fica também a dica para os fãs da série que moram em Brasília: o Clube do Livro está promovendo um evento esse sábado às 14h, no castelinho do Parque da Cidade. pelo que eu entendi, será uma simulação dos Jogos Vorazes. As instruções são para cada tributo levar sua arma(!) e os demais, as câmeras. Parece que também haverá gamemakers e todo o resto, mas a organização está fazendo um suspense danado. Se tudo der certo, quem sabe eu não acabo indo cobrir a coisa toda?

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