Cheia de nada

Era uma casa vazia. Não simplesmente estava vazia. Era vazia de tudo. Vazia de coisas, vazia de gente, vazia de sons. Um amontoado de tijolos que fora abandonado, como que erguido por acaso e depois esquecido. Lembranças. Era a falta de lembranças que fazia vazia a casa.

Certa noite, porém, sem que houvessem testemunhas, as janelas sem vidro viram uma luz intensa cortar o céu. Um calor estranho aqueceu o concreto, e era estranho porque naquela parte fria do mundo não existia calor. A luz foi crescendo, foi descendo e aquecendo até que chegou ao chão. A casa então percebeu que o calor vinha da luz, e que a luz vinha da pedra. E da pedra vinha mais alguma coisa.

Algo assim diferente, algo que não conhecia. Algo vivo, e perceber isso a fez pensar se não estava viva também – ou talvez só estivesse viva por causa da coisa. A coisa veio se arrastando pela luz, entrando sob o batente, se espremendo entre as frestas. Aí a coisa encheu a casa.

A casa era cheia de coisa.

No final de agosto, me propus a escrever um texto todos os dias. Para isso, pedia aos meus amigos que me falassem algumas palavras, um número e – TA-RAM! Eu tinha algo em que me basear e um limite de linhas. Só que um deles resolveu apelas e me deu números como 79 e 101, de forma que estou um pouco atrasada. Este eu escrevi no dia 24 de agosto, em 13 linhas. As palavras da vez foram corpo, meteoro e casa. Clique aqui para ver a imagem usada no post.

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