Abre a porta, vai.

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Jogar fora. Complicado isso. Jogar “fora”. Dói pegar uma coisa que tá dentro, que por vezes custou para entrar, e colocar do lado de fora da porta, junto com o lixo, com o que não serve mais. Como não serve mais, meu Deus? Você olha praquilo e vê, além das falhas e dos defeitos, tudo o que já fez com aquela coisa e percebe que ela não está simplesmente do lado de dentro – ela faz parte de você. Uma parte insignificante, mas ainda você. Se tá quebrado, se conserta; você diz. Porque jogar fora é dizer que não tem mais jeito. Dá-se um jeito! Dá seu jeito.

Mas jogar fora? Jogar fora não.

– Vai que você precisa?

– Vai que você esquece?

Como tirar um pedaço do seu corpo e deixar de fora? Como sair de si? “Saí de mim” é o que grita a alma, mutilada, quando você joga algo fora – é loucura.

Fica um vazio dolorido. Dá pra preencher com outras coisas, mas o encaixe não é perfeito; e por isso que dói tanto pra algo “entrar”. Incomoda, se construir, se formular. Principalmente quando, depois que as peças afinal se espremeram e se acomodaram, você percebe que tá errado. Que aquele pedacinho de você não serve mais. Abre a porta, vai.

Você sabe o que fazer.

Texto escrito em 17 de setembro, após ouvir as palavras “jogar fora” serem proferidas por um professor por quem tenho uma admiração especial. A reflexão simplesmente veio, a partir daí, mas não é exatamente minha. Clique aqui para ver os créditos da imagem original.

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