O Capítulo da Noite

A Lua espiava lá de cima. Seu amiguinho sempre fazia coisas curiosas e interessantes, especialmente quando ela se enchia toda para dar uma olhada no que ele estava aprontando. E naquela noite esplendorosa, ela certamente não se desapontaria. Olhou bem para dentro do buraco em cima da sua toca e o encontrou no lugar de sempre: no topo de uma montanha de livros, tão grande e tão farta, que ela poderia contar muitos dos seus anos somando todas aquelas páginas empoeiradas.

— HÁ! — bradou ele ao ser atingido pela sua luz, mostrando arreganhando os dois dentões para ela — já não era sem tempo, já não era sem tempo!

capitulo da noiteEra uma voz muito mal-humorada para um corpo tão pequeno, pensou a Lua.

Ele colocou na boca seu cajado (quase nada maior que um graveto) e escalou as o Grande Livro com suas garrinhas até chegar na pontinha de cima, e depois se colocou em duas patas, usando a cauda e o cajado para se equilibrar melhor. Pegou uma grande golfada de ar com seu narigão e começou a correr no mesmo lugar, fazendo com que as páginas virassem rapidamente. O esforço o fez colocar a língua para fora e arfar abobalhado.

— HÁ! — bradou ele uma segunda vez, ao chegar no Capítulo da Noite — aqui está. Muito bem, muito bem. Então vamos lá.

Mais uma inspiração profunda e ele deixou o corpo cinzento escorregar pela página até aterrizar de forma não muito elegante na pilha de livros outra vez. Coçou as grandes orelhas três vezes como fazia todas as vezes antes de lançar um feitiço importante., cheio de cerimônia.  Os muitíssimos livros que cobriam as paredes da toca do chão ao teto pareceram se mexer um pouquinho, cheios de expectativa, e até a Lua se inclinou um pouco mais para perto para ver melhor.

O cajado do Rato aproveitou e pegou um pouquinho da luz prateada emprestada, iluminando um pouco mais o Grande Livro.  As correntes que prendiam sua brochura de couro até o alçapão bem lá em cima, de onde a Lua vida todas as coisas, tremeluziram de leve, emitindo um som doce como a risada de doze fadinhas.

O Rato respirou uma terceira vez e espiou sua amiga gorda e redonda no céu. E acrescentou, com aquela sua voz meio mal-humorada e muito misteriosa:

— Essa noite, minha cara, vai ficar marcada em você.

 

Enrolei pra caramba para começar o parágrafo de hoje, mas surpreendentemente, quando finalmente escolhi meu prompt, o texto fluiu como água corrente. Basei-me na imagem do post, por Waldemar Bartkowiak e tirada originalmente daqui. Ouvi a OST de Skyrim mais para abafar o som ambiente que qualquer coisa, mas acho que ela vai me ajudar em outros momentos.

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